Novembro Azul: Porque os homens tem mania de evitar?




Novembro Azul: Porque os homens tem mania de evitar? Arquétipos de heróis, eles não admitem ficar doentes…

Mulheres que nunca penaram para convencer seus pais ou maridos a comparecer a uma consulta médica, que atirem a primeira pedra. A maioria dos homens foge do médico como o diabo da cruz. Não é à toa que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres vivem, em média, sete anos a mais do que os homens.

Além disso, uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra que, do total de pessoas entre 20 e 59 anos que morrem no país, 68% são homens. “Quando se fala em doença, o sexo frágil não é a mulher e sim, o homem. Por isso ele evita de saber que está doente”, comenta Oren Smaletz, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo Carlos Eduardo Corradi Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), esse índice tem motivos culturais. “As mulheres são levadas desde a adolescência pela mãe ao ginecologista. Aos 15 anos elas já sabem que precisam fazer exames preventivos. Já os rapazes, depois das consultas no pediatra, só vão ao médico quando ficam doentes”.

Para se ter ideia, um levantamento realizado pelo Lavoisier Medicina Diagnóstica provou que as mulheres disparam na frente dos homens quando o assunto é a realização de exames preventivos. Em 2013, o laboratório constatou que o número de procedimentos realizados por elas superou em 34% o volume dos homens.

O estereótipo de que os homens são os provedores da família e não podem demonstrar fragilidade também é um impeditivo para as idas ao médico. “Sentem-se como super-heróis e não admitem a doença. Daí dão a desculpa de que não têm tempo, acham que nunca vão adoecer e por isso não se cuidam”, comenta Corradi.

Tabu pode levar a diagnóstico tardio

O câncer de próstata é o mais prevalente em homens no mundo, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Por ano, segundo o Instituto, 70 mil novos casos surgem no Brasil. Os médicos afirmam que a detecção precoce dele através do toque retal e do exame de sangue PSA (antígeno prostático específico) aumenta em 90% as chances de cura.

Por isso, o exame de toque retal não pode ser um tabu. “Os homens estão ficando mais conscientes e nós devemos isso às esposas que forçam seus maridos a irem ao médico”, diz Valdemar Ortiz, urologista.

Segundo uma pesquisa do Centro de Referência em Saúde do Homem, 70% dos homens vão às consultas médicas acompanhados das mulheres ou dos filhos. O resultado mostra que mais de 50% dos homens já chegam aos consultórios com doenças em estágio avançado, quando há necessidade de intervenções cirúrgicas.

“É um problema de saúde masculina que precisa ser levado a sério. A recomendação para quem tem histórico familiar e raça negra é que faça a primeira consulta ao urologista aos 40 anos. Quem não se encaixa nesse perfil deve começar a fazer o exame de toque retal e PSA aos 45 anos”, aconselha Gustavo Franco Carvalhal, urologista.