Internet das coisas terá 14 bilhões de conexões em 2021




A cadeia que movimenta o mundo da internet das coisas (IoT) não se limita às operadoras de telecomunicações e movimenta números bilionários. Dados do mais recente Relatório de Mobilidade da Ericsson mostram que estão previstos 28 bilhões de dispositivos conectados em 2021, mais da metade deles na área de M2M e IoT. Já o GSMA, entidade que reúne a cadeia dos interessados na tecnologia GSM, aponta que as conexões M2M sozinhas devem ultrapassar a cifra de 1 bilhão em 2020.

O movimento ascendente acontece fora e dentro do Brasil e nenhum setor escapa, nem mesmo ambientes agressivos como os industrial e o de produção mineral. Um dos exemplos é a chamada Indústria 4.0, revolução que o chão de fábrica. Nessa semana, a Abimaq, entidade que congrega os fabricantes de máquinas e equipamentos, antecipou as novidades que devem fazer parte de uma das principais feiras do setor, a Feimac, que acontece no começo de maio: uma linha de produção inteligente, com participação de mais de 20 empresas, deve ser uma das atrações do evento. Além de robótica e da mecatrônica, um dos destaques será exatamente a IoT.

Segundo a Abimaq, “a combinação de modernos recursos de automação industrial com os avanços dos sistemas de computação, informação e comunicação via internet, permite que linhas de montagem e produtos troquem informações entre si ao longo do processo, ao mesmo tempo que diferentes unidades fabris tomam decisões sobre produção, compras e estoques sem interferência humana”. O discurso é longo, mas resume o foco da quarta geração na indústria.

Na área mineral, o IoT igualmente ganha espaço. Segundo Renato Carneiro, presidente da 2S, integradora parceira da Cisco, existem casos de sucesso no setor, que envolvem comunicação, colaboração e data center adaptadas ao ambiente das minas, que permitiram quadruplicar a produção anual e reduzir os custos em US$ 2,5 milhões. A empresa se classifica como pioneira do IoT em mineração no país.

De acordo com o executivo, além de reduzir custos e otimizar processos com a infraestrutura adequada, a IoT traz sensores, atuadores e conectividade à mineração, possibilitando o melhor planejamento, a programação das atividades de perfuração nas minas, a tomada de decisão em tempo real e o total controle da operação – da extração ao transporte.

“Esses sensores ajudam decidir rapidamente se é vantajoso ou não processar o minério, em vez dos demorados tradicionais testes da composição dos minérios. Dessa forma, estar mais perto da informação sobre esse processo proporciona um grande aumento de produtividade e redução de custos”, explica Carneiro.

A Ericsson, tradicional fabricante da área de telecomunicações, já avança em outra frente, falando em 5G. Nessa semana, a empresa anunciou uma parceria com o governo federal, criando um laboratório de IoT. O foco são as áreas de agricultura inteligente, água inteligente, floresta conectada e prevenção e monitoramento contra desastres. Do lado público, a interface da fabricante é o Ministério das Comunicações.

Chamado de Laboratório da Sociedade Conectada no Brasil, a instituição será inaugurada hoje, sendo parte do Centro de Inovação da Ericsson. A iniciativa faz parte de um movimento para fortalecer um ecossistema de IoT na América Latina. A multinacional já tinha criado recentemente uma plataforma de crowdworking em parceira com a Telefonica Open Future e com o Inatel. Além disso, várias universidades de ponta, incluindo USP, Unicamp e PUC-Rio, integram o ecossistema de IoT.

Fora do Brasil, as operadoras e seus parceiros também se movimentam, independente da geografia. Na África, a chinesa Huawei anunciou a ativação da primeira rede 4,5G – em caráter de teste – do continente. O pioneirismo coube à MTC, da Namíbia, que avaliou a infraestrutura que vai permitir o tráfego em velocidades de 1 Gbps. A operadora também colocou no ar e comercialmente a rede LTE Advanced ou LTE-A (com picos de velocidade de 300 Mbps).

Segundo a Huawei, a rede 4.5G ajudará o desenvolvimento da Internet das Coisas, suportando mais de 100 mil conexões de celular. A empresa chinesa reforça ainda que é a criadora do conceito de 4,5 G, um intervalo entre a atual rede 4G e a ativação comercial do 5G, prevista para 2020. Ela faz parte ainda de outro ecossistema, dessa feita com a Deutsche Telekom, da Alemanha.

A operadora europeia também divulgou seu universo de IoT, com a inclusão plataformas, parceiros e produtos, envolvendo a aliança com a gigante chinesa e com outros pesos pesados como GE Digital, Microsoft e SAP. O anuncio foi feito nessa semana durante a Hannover Messe, uma das grandes feiras mundiais da indústria. A participação no evento teria como mote a indicação de como é fácil iniciar um projeto de IoT e de internet industrial.

A estratégia da empresa é levar pequenas e médias empresas para a era da Internet Industrial com um mix de pacotes padronizados (80%), complementados por soluções personalizadas (20%). “Nosso conhecimento em diversas áreas, da conectividade de redes a análise de dados, passando pela integração de sistemas, faz com a IoT seja um território familiar”, diz Anette Bronder, diretora da T-Systems e, há nove meses, a responsável pela Divisão Digital do grupo.

Para ajudar os clientes a ativarem os projetos de Internet Industrial, a Deutsche Telekom criou o chamado Cloud of Things Starter Kit, incluindo  software, sensores que reúnem dados e um SIM card para transmissão de dados e acesso à plataforma de cloud da DT para o processamento dos dados.

De acordo com ela, o kit pode ser utilizado para monitorar, por exemplo, a temperatura de uma máquina ou os movimentos de um equipamento de construção, tudo em tempo real. Os clientes podem utilizar e instalar o serviço, cuja estrutura de preço consiste basicamente de um valor base, acrescido de uma taxa por utilização.

Para quem quer avançar mais  e controlar os equipamentos remotamente, a operadora oferece outro pacote, o chamado Predictive Maintenance Kit. Nesse caso, os recursos incluem a automação de processos de manutenção, da análise de danos e desgaste da máquina até a conclusão de um pedido de serviço.

Pra finalizar: a análise de dados também pode ressaltar pontos específicos, permitindo aos usuários prever danos potenciais antes que ocorram. De acordo com a Deutsche Telekom, a manutenção preditiva tem o potencial de reduzir os custos de manutenção em até 30%.

Fonte | Infraoi.